A capital baiana registrou 357.137 multas de trânsito entre os meses de janeiro e junho de 2025, de acordo com dados oficiais da Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador). O número representa uma leve redução de 3,8% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram contabilizadas 371.470 infrações. Na prática, são quase 14 mil multas a menos, o que ainda assim reflete uma média elevada: quase 60 mil autuações por mês em Salvador.
O mês de março concentrou o maior volume de autuações no primeiro semestre deste ano, com 71.468 ocorrências, seguido por fevereiro (59.768) e janeiro (58.121). Já os meses com menor incidência foram abril (52.545) e junho (56.244). Os dados de julho ainda não estavam disponíveis até o fechamento desta reportagem.
O cruzamento dos dados da Transalvador revela que os automóveis particulares são os principais responsáveis pelas infrações, com 63,03% das multas. Em seguida aparecem as motocicletas, com 13%, os utilitários (5,22%), caminhões (2,29%), ônibus (0,86%) e outros veículos (15,61%). A predominância de infrações cometidas por veículos leves reforça o perfil de condutores que se arriscam no trânsito urbano, muitas vezes sob a falsa sensação de segurança por estarem em vias conhecidas e sinalizadas.
No que diz respeito à forma como essas infrações são captadas, os radares fixos (fotossensores) lideram com 50,98% dos registros, seguidos pelos smartphones utilizados por agentes de trânsito (44,68%) e videomonitoramento (4,33%). O uso de sistemas manuais para autuação foi zerado no primeiro semestre, reforçando a automatização da fiscalização em Salvador.
Entre os principais motivos para as multas, dois tipos de infração se destacam pela frequência e pela gravidade: excesso de velocidade e ultrapassagem em local proibido. Juntas, essas condutas respondem por uma parcela expressiva das autuações na cidade e estão diretamente ligadas ao aumento de acidentes com feridos e vítimas fatais.
Especialistas alertam que o desrespeito aos limites de velocidade, sobretudo em vias urbanas e residenciais, compromete a segurança de pedestres, ciclistas e outros motoristas. Muitas vezes, as placas estão visíveis, mas a pressa — combinada com a impunidade percebida — leva condutores a ignorar a sinalização. Já as ultrapassagens indevidas, comuns em avenidas movimentadas e próximas a retornos e cruzamentos, revelam não apenas imprudência, mas também falta de empatia e de preparo técnico para conduzir com segurança.
Educação para o trânsito não pode ser apenas panfleto e campanha de TV
Diante desse cenário, cresce o debate sobre a real efetividade das campanhas educativas promovidas pelas autoridades de trânsito. Embora importantes,
ações como palestras, anúncios em rádio e televisão, ou distribuição de material informativo, não têm surtido efeito suficiente para mudar comportamentos arraigados. Segundo especialistas em mobilidade urbana, é preciso ir além do discurso e investir em infraestrutura, sinalização inteligente e reengenharia das vias.
A educadora de trânsito e urbanista Ana Cláudia Silveira, que estuda o comportamento de condutores em centros urbanos, afirma que a reincidência em determinadas infrações aponta para falhas estruturais no controle e na prevenção. “Quando o mesmo tipo de conduta continua liderando o ranking de multas, não se trata apenas de má-fé dos motoristas, mas de um sistema que não corrige e nem previne. Precisamos de rotatórias bem desenhadas, radares visíveis e punições que não se resumam ao boleto no correio”, explica.
Além da fiscalização, especialistas defendem que a estrutura urbana deve ser pensada para induzir o bom comportamento no trânsito. Isso inclui, por exemplo, redução de velocidades máximas em áreas escolares, implantação de faixas elevadas para pedestres, melhorias na iluminação pública e na visibilidade das placas de sinalização. Cidades que investem em urbanismo tático e planejamento participativo têm conseguido resultados mais significativos na redução de acidentes e infrações.
Por outro lado, a Transalvador afirma que mantém ações de educação para o trânsito em escolas, feiras e eventos culturais, além de fortalecer a fiscalização com o uso de tecnologia e inteligência. A meta, segundo a autarquia, é reduzir acidentes e preservar vidas, sem abrir mão da aplicação da lei










