Um projeto de lei apresentado pelo vereador Silvio Humberto (PSB) quer reconhecer o Ofício das Baianas de Acarajé como Patrimônio Imaterial, Cultural e Histórico de Salvador. A proposta busca valorizar uma tradição que atravessa gerações e tem forte ligação com a história, a cultura e a identidade da capital baiana.
O texto prevê que o reconhecimento contemple não apenas o preparo e a venda do acarajé, do abará e de outras comidas tradicionais, mas também os conhecimentos e as técnicas que passam de mãe para filha e ajudam a manter viva a atividade.
A iniciativa também destaca a importância dos tabuleiros, das roupas tradicionais e de outros símbolos que fazem parte do cotidiano das baianas, além da relação do ofício com as religiões de matriz africana e as tradições afro-brasileiras.
Na justificativa, Silvio Humberto ressalta que a história de Salvador está diretamente ligada à contribuição das mulheres negras. Segundo o vereador, as baianas de acarajé representam uma tradição secular que continua presente nas ruas, praças, mercados e festas populares da cidade.
O documento também chama atenção para o papel que a atividade teve na trajetória dessas mulheres. Historicamente, o comércio de alimentos foi uma alternativa de sustento e autonomia para mulheres negras escravizadas e libertas, que encontraram nos tabuleiros uma forma de garantir a sobrevivência de suas famílias.
Ainda segundo o vereador, o ofício de baiana de acarajé, além de uma atividade comercial, ajudou a preservar costumes africanos, fortalecer laços comunitários e criar redes de solidariedade.
A proposta também destaca os elementos que caracterizam a identidade das baianas, como saias, batas, panos da costa e turbantes. A preparação dos alimentos, por sua vez, envolve ingredientes, técnicas e conhecimentos tradicionais transmitidos ao longo das gerações.







