Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no mês de novembro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é a medida oficial da inflação, calculado pela instituição, ficou em -0,17% na Região Metropolitana de Salvador (RMS). Sendo a primeira e mais intensa queda da média de preços, no mês em referência. Uma deflação como essa não é vista desde 2018, quando o índice havia ficado em -0,31%.
A capital baiana foi um dos quatro locais onde o IPCA negativa em novembro, dentre os 16 lugares investigados pelo IBGE. Apresentou também o terceiro menor índice no país, só acima dos registrados em São Luís/MA com -0,39% e em algumas regiões de Recife com -0,29%. No Brasil, a inflação ficou em 0,28% no mês de novembro, tendo como as maiores altas em Campo Grande/MS com 0,47% e regiões do Rio de Janeiro e São Paulo com 0,57% e 0,42%, respectivamente. Neste final de ano, a inflação em Salvador está em 3,61% no percentual, que de acordo com os dados da pesquisa, indica que está voltando a ficar menor do que a nacional com 4,04%, sendo a quarta mais baixa do país. E ao encerrar os 12 meses, o IPCA acumula alta de 4,01% na RMS e é o quinto mais baixo do país entre os locais pesquisados.
A deflação de -0,17% registrada em novembro em Salvador foi por conta da queda dos preços disseminados por seis dos nove grupos de produtos e serviços que compõem o IPCA. As reduções mais intensas vieram dos setores de residência com -0,99% e da comunicação com -0,67%. Porém, como são despesas que não pesam nos orçamentos das famílias, tiveram impactos menores no índice geral. Já as quedas que mais puxaram o IPCA foram as do setor de transportes com -0,41% e de saúde e cuidados pessoais com -0,36%. A gasolina, o diesel, etanol e o conserto de automóveis também foram fatores importantes na influência desse recuo da deflação
Contudo, o grupo de transporte também teve os aumentos que mais contribuíram para segurar a deflação e puxar o IPCA da RMS para cima, somente no mês de novembro as passagens aéreas obtiveram 13,23% no índice, o segundo maior aumento entre todos os produtos e serviços, e os ônibus urbanos mostraram um percentual de 3,52%. Por outro lado, os planos de saúde pressionaram a inflação, registrando 0,78%. Além dos alimentos que também ajudaram a segurar o IPCA de novembro, por conta das quedas no tomate, do leite longa vida e da cenoura, entre outros alimentos. Os itens que mostraram mais alta foram as cebolas, as carnes em geral e o arroz.

O consultor e professor de Economia e Finanças, Antonio Carvalho, comenta que muitos fatores incidem na inflação e fica difícil ter uma previsão futura sobre o caso. “Uma deflação em níveis moderados é uma boa notícia para a população em geral, pois, representa uma redução do fator conhecido popularmente como “custo de vida”, ou seja, aumenta o poder de compra do consumidor, permitindo comprar mais com o mesmo dinheiro. O brasileiro, sempre castigado pela inflação, quando há deflação, ainda que em índice pequeno, respira aliviado. Embora tenhamos uma retração dos preços médios nos últimos meses, decorrente da recuperação econômica do Brasil e da maioria dos países com o arrefecimento da pandemia da Covid, a redução dos níveis de exportação de produtos de origem agrícola e pecuária, aumentando a oferta no mercado interno e a produção invejável do agronegócio brasileiro. É difícil prever se poderemos comemorar deflação nos próximos meses ou, pelo menos, uma estabilização dos preços.”, explica o economista.
Fonte: Tribuna da Bahia








