Moradores de Salvador e de mais 12 municípios baianos amanheceram sem água nesta terça-feira (5). De acordo com a Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), a parada generalizada ocorre devido a uma grande operação de manutenção e melhoria. A interrupção foi anunciada na semana passada, o que facilitou a preparação para o corte no fornecimento. No entanto, mesmo com estratégias, muita gente sofre com a falta de água na capital baiana. Funcionários de lava jatos, por exemplo, reagendaram serviços e temem um prejuízo de 50% na diária.
Lucas Oliveira, 23 anos, trabalha em um dos postos de lava jato no Curralinho, localidade da Boca do Rio, há um ano. Ele e os quatro colegas de trabalho encheram um tanque de 1000 litros para atender alguns clientes. A quantidade, no entanto, não supre a demanda diária “É difícil. A gente depende muito da água. Sem água, a gente não consegue fazer dinheiro. Por enquanto (por volta de 12h desta terça-feira), ainda tem um pouco de água no tanque. Quando acabar, não vai dar pra lavar mais carro nenhum”, desabafa.
Diariamente, o posto atende 20 clientes por dia. Com a interrupção, esse número vai ser reduzido em 50%. “Vamos lavar uns 10, no máximo. E olhe lá. Tem carro que a gente gasta muita água”, disse. Para lavar e aspirar, o grupo cobra R$ 30 para veículos pequenos. Donos carros de médio e grande porte pagam R$ 40 e R$ 50, respectivamente. “Se a água só voltar amanhã, vai ser complicado. Ai só vamos voltar a trabalhar na quinta-feira. É muito complicado”, diz.
A operação da Embasa começou às 3h da manhã desta terça. A previsão é que o último serviço seja concluído no final da noite de hoje, quando o abastecimento começará a ser retomado aos poucos. A localização do imóvel influencia diretamente no retorno do serviço. Alguns podem levar até 48 horas para voltar a receber água. Imóveis em áreas mais baixas e próximas dos reservatórios costumam ser os primeiros. Os pontos mais altos precisam de mais pressão. Então, o retorno costuma demorar mais.
A demora do retorno também é uma preocupação de Ivo Estética, que trabalha no lava jato ao lado do de Oliveira. “A gente torce para que retorne hoje, mas se voltar só amanhã, vai prejudicar muito”, diz. Por dia, em média, ele atende cinco clientes. Os serviços são de lavagem, polimento e limpeza de banco. Todos precisam de agendamento. “Quem não trabalha com agendamentos tem mais preocupação. A gente fez um reservatório de água. Quando acabar, vamos ficar parados, sem trabalhar”, disse.
Além do reservatório, o empreendedor tem um tanque de 1000 litros. Mesmo assim, precisou reagendar clientes que seriam atendidos nesta terça e na quarta (6). “Eu reagendei seis carros para sexta e sábado”, diz. Três veículos seriam para lavagem comum e os outros três para lavagem de banco. No total, ele receberia R$ 720 pelo trabalho.
Nas redes sociais, as reclamações foram ainda mais intensas. “Vocês informaram que iam fechar a água as 03h da manhã de hoje [terça]. Aqui em São Cristóvão, a água começar a enfraquecer as 19h e, pouco tempo depois, acabou! Como o pessoal se prepara se vocês informam uma coisa e fazem outra??”, reclamou um morador. “Não consegui nem reservar a água”, disse outro.
“Pernambués está sem água desde antes das 10h de ontem [segunda], só rindo kkkkkkk”, ironizou um outro morador. “Em Cajazeiras faltou desde ontem às 11h da manhã… Uma tremenda falta de respeito, como se preparar se um dia antes do combinado vocês cortam nossa água?”, disse mais um.
Procurada, a Embasa confirmou que a megaoperação foi iniciada na madrugada, como previsto, e disse que casos de desabastecimentos pontuais podem ocorrer no cotidiano de um sistema tão grande e complexo como o que atende Salvador e Região Metropolitana (RMS).










