O setor da construção civil em Salvador atravessa um momento de otimismo e expansão. Os resultados obtidos ao longo de 2025 indicam um cenário promissor para 2026, com lançamentos, vendas e perspectivas de novos empreendimentos mantendo o mercado aquecido. Segmentos e pesquisas do setor apontam crescimento consistente, especialmente em bairros consolidados e em áreas de expansão, embora ainda faltem dados finais do ano para consolidar o panorama completo.
O desempenho de Salvador se destaca: apenas no início de 2025, a capital registrou um aumento de 318,9% no número de unidades lançadas, saltando de 222 para 930 imóveis em comparação ao mesmo período do ano anterior. Esse crescimento também se refletiu na região metropolitana, que somou 1.330 unidades verticais lançadas, marcando um avanço de 99%. Os dados, apresentados pela Ademi-BA em parceria com a Brain Inteligência Estratégica, se referem ao mês de janeiro, e foram apresentados em abril deste ano, mas dão um norte da realidade ainda atual.
Apesar do recuo de 50% nos empreendimentos lançados fora da capital, conforme apontado, Salvador se consolida como a principal força desse movimento, concentrando boa parte das operações do setor. Além dos lançamentos, as vendas surpreenderam: o mercado baiano movimentou R$ 305 milhões em transações imobiliárias em janeiro deste ano, um crescimento de 40,03% em relação a o mesmo mês de 2024. Na capital, a evolução foi ainda mais robusta, com aumento de 65,4% nas vendas, demonstrando que a demanda acompanha o ritmo da oferta.
Outra pesquisa mais recente, referente ao mês de maio, revelou que entre os bairros mais procurados, Patamares desponta como protagonista, concentrando quase 60% dos lançamentos residenciais de maio e registrando a maior taxa de vendas da cidade.
Presidente da Ademi-BA, Cláudio Cunha afirmou após o levantamento, divulgado em julho, que a combinação de acessibilidade, infraestrutura e proximidade com a orla torna Patamares uma escolha robusta para compradores e investidores. “’Observamos jovens profissionais, famílias e filhos de moradores optando por permanecer na região, o que reforça a diversidade da demanda e a pluralidade de empreendimentos”, disse, à época.
Além de Patamares, Caminho das Árvores mantém sua posição como bairro de alto padrão, com imóveis valorizados e forte procura por famílias e investidores que buscam segurança, infraestrutura consolidada e localização estratégica. Juntos, esses bairros refletem a diversidade do mercado e a capacidade de Salvador de atender diferentes perfis de compradores.
Além de Patamares, bairros como Jardim Santa Teresa (34,6%) e Horto Florestal (5,8%) também registraram lançamentos expressivos em maio. No conjunto, Salvador mostrou um mercado dinâmico e adaptável, capaz de atender diferentes perfis de compradores — do investidor ao jovem profissional, passando por famílias que buscam conforto e infraestrutura.
Os tipos de empreendimentos também evidenciam a diversidade: unidades compactas, como studios e lofts, representam 50,2% dos lançamentos, enquanto imóveis do programa Minha Casa Minha Vida correspondem a 26,7%. Já unidades de médio padrão atingem 19,5% e de luxo 3,6%, revelando oportunidades para variados perfis de investimento. O Valor Geral de Vendas (VGV) da capital atingiu R$ 308 milhões apenas em maio, acumulando R$ 5,3 bilhões nos últimos 12 meses, um crescimento de 68,7% em relação a 2024. O presidente da Ademi-BA destacou na ocasião que o crescimento do setor é sustentável e estruturado, mesmo diante de desafios macroeconômicos.
Trabalhadores alertam para desafios com crescimento do setor
Apesar das boas perspectivas, os trabalhadores da construção civil ainda enfrentam desafios significativos. Segundo o presidente do Sintracom-BA, Carlos Silva, as principais dificuldades incluem riscos de acidentes, falta de treinamento adequado, precariedade no uso de equipamentos de proteção coletiva e instabilidade no emprego. “A construção civil é vital para a economia, mas precisamos de fiscalização e políticas que garantam segurança e direitos”, alerta.
Florisvaldo Bispo, secretário geral do Sintracom-BA, reforça a necessidade de valorização da mão de obra local. “É preciso que os profissionais tenham poder de exigir melhores condições de trabalho e remuneração. Sem mobilização, os direitos correm risco, especialmente com terceirizações que podem gerar informalidade e precarização”.
O Sintepav, sindicato que representa trabalhadores da construção e montagem industrial, também reforça a importância da segurança e da qualificação. Para Irailzo Gazo, presidente do Sintepav, “investimos em fiscalização, capacitação e diálogo com empresas e órgãos públicos para garantir trabalho decente, salários justos e proteção à saúde. A relação entre capital e trabalho é conflituosa em interesses, mas podemos equilibrar produtividade com valorização do trabalhador”.
Projetando 2026, o setor imobiliário e da construção em Salvador mantém boas perspectivas de crescimento e geração de empregos, mas os sindicatos alertam que é fundamental garantir que esse desenvolvimento não ocorra às custas da segurança e dos direitos dos trabalhadores.










